Sunday, Jun 28, 2009

Grandes Saxofonistas do Jazz Contemporâneo Vol 1

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John Ellis

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No Jazz o reino do saxofone é, em muitos aspectos, o maior e mais rico. Desde os primórdios, o saxofone foi um dos instrumento que ditou os novos fraseados que inovaram a linguagem jazzística: através do saxofone alto de Charlie Parker, por exemplo, surgiu o intrincado fraseado do Bebop; através do fraseado do sax alto Ornette Coleman - um outro exemplo - surgiu a revolução do Free Jazz. Há, também, o aspecto da sonoridade: os saxofonistas são, desde os primórdios, os instrumentistas que mais conseguem trabalhar, de forma bem evidente, suas próprias sonoridades diferentemente umas das outras - veja, por exemplo, quão diferentes são as sonoridades dos altoístas Cannonball Adderlley e Paul Desmond ou, ainda, dos saxtenoristas Albert Ayler e Archie Shepp. Para além da facilidade com a qual o saxofonista pode trabalhar sua sonoridade, há a facilidade de se adequar a qualquer instrumento da família dos saxofones ou da família das palhetas - veja que na história do jazz não há muitos trompetistas que se aventuraram a tocar trombone ou tuba em seus discos ou shows, mas os saxofonistas, desde o pioneiro Sidney Bechett até o moderno John Coltrane, sempre se revezaram entre o sax soprano e o tenor e há alguns saxofonistas, como os atuais multiinstrumentistas James Carter e Ken Vandermark, que até tocam flauta e/ou todos os tipos de instrumentos de palheta (clarinete, sax soprano, oboé, sax alto, sax barítono e etc). Enfim, o saxofone é um instrumento de muita expressividade melódica que desde o início do jazz moderno vem sendo enriquecido tecnicamente e sendo tocado em vários contextos diferentes. Consequentemente, o saxofonistas atuais - jovens que puderam aprender um conjunto de técnicas e complexidades deixas pelos mestres do passado - estão usando e abusando dessas técnicas e das variabilidades do instrumento, procurando criar a partir delas novos fraseados, novas sonoridades e trabalhar com novos combos e formações.

Este podcast mostra, portanto, abordagens diversas próximas à estilos como o Neo-Bop, Free Jazz, Modern Creative, M-Base e o Modern Post-Bop, rotulagens que, devido aos entrelaçes contemporâneos, são um tanto difíceis de serem distinguidas em uma composição. O programa começa com o saxtenorista John Ellis, um jovem promissor que transita livremente entre o cenário de Nova Orleans e o de Nova Iorque: John Ellis, jazzista branco, foi aluno do grande pianista Ellis Marsalis e também foi ficou em segundo lugar no concurso para jovens saxofonistas do Instituto Thelonious Monk em 2002 - aqui Ellis aparece com um quarteto inusual de sax tenor, orgão, sousafone e bateria, tocando variações de blues de forma bem moderna. Na segunda faixa quem surge é o saxtenorista Ravi Coltrane (filho de John Coltrane), um dos contribuintes do cenário do Neo-bop e um dos colaboradores do movimento do M-Base. Surge na sequência o altoísta porto-riquenho Miguel Zenon, um dos saxofonistas que tem sido bem elogiado por suas abordagens que mesclam aspectos da cultura caribenha com o Neo-bop e Post-Bop norte-americano (embora nesta faixa, Seis Cinco, isso não fica tão evidente como se presume). Ted Nash, requintato saxtenorista, colaborador de Wynton Marsalis e um dos compositores-membros do conjunto de compositores intitulado Jazz Composers Collective, aparece em duas faixas. Depois ouve-se a saxsopranista Jane Ira Bloom, uma das únicas mulheres bem aclamadas no jazz contemporâneo e uma das mais criativas, sendo, inclusive, pioneira do uso de recursos eletroacústicos em seu sax soprano. Em seguida ouve-se Joshua Redman, um dos maiores saxtenoristas da atualidade que, inicialmente influenciado pelo Neo-Bop na década de 90, atualmente tem mostrado trabalhos bem peculiares através dos seus trios que soam crus e ritmicamente proliferados. O quarto bloco inicia-se com o grupo The Vandermark 5, do saxtenorista e multiinstrumentista Ken Vandermark (um dos frejazzers de grande evidência que tem contribuído em muito para a revitalização do cenário vanguardista de Chicago) e termina com o altoísta Greg Osby, pioneiro do M-Base e um dos músicos, dentre tantos, influenciado pelos efeitos e batidas do Hip Hop. Por fim, o podcast termina com a faixa Caravan, composição de Duke Ellington recriada de forma magistral pelo neo-tradionalista James Carter, baritonista que, através do seu poderoso sopro, mescla a tradição e o swing com elementos do Free Jazz.

Boa Audição

Posted by Vagner Pitta at 10:39 AM |  MAKE A COMMENT  

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